Costumamos nos dividir com facilidade entre aqueles que consideramos preconceituosos e aqueles que se julgam iluminados, tolerantes e imunes a qualquer julgamento precipitado. No entanto, essa fronteira moral é ilusória: não existe ser humano desprovido de preconceito.
Se desarmarmos a carga emocional da palavra e olharmos para a sua raiz etimológica e psicológica, descobrimos a sua engrenagem real: preconceito nada mais é do que um pré-conceito; uma ideia formulada antes da constatação concreta dos fatos. É a conclusão a que chegamos sobre alguém ou alguma coisa antes que o tempo, a conversa e o convívio nos entreguem a verdade daquela pessoa.
Nossa mente não chega aos encontros da vida como uma folha em branco. Carregamos uma bagagem acumulada: as dores que vivemos, as desilusões que nos marcaram, a educação que recebemos, os medos que cultivamos e as expectativas que projetamos sobre o mundo. Quando alguém cruza o nosso caminho; pelo jeito de vestir, pelo tom de voz, pela postura ou pelas escolhas; nosso cérebro rapidamente busca no arquivo da memória referências parecidas para se situar e se proteger.
Em sua origem mais básica, esse mecanismo tenta economizar energia e antecipar perigos. O problema não reside no fato de termos um primeiro pensamento involuntário.
O perigo real começa quando nos apegamos a essa impressão apressada como se ela fosse uma certeza incontestável.
